Publicações

Você está em: Home > Publicações > Regra de Basileia sobre renda variável desagrada instituições

Regra de Basileia sobre renda variável desagrada instituições

Por Sam Fleming | Financial Times – Valor – .

Os bancos estão soando o alarme sobre a proposta de uma regra mundial visando obrigá-los a financiar-se com mais segurança, advertindo que ela poderá produzir “severas repercussões” sobre vendas a descoberto e outras importantes transações nos mercados de renda variável.

Lobistas do setor alertaram a Comissão de Basileia para Supervisão Bancária que as propostas para regulamentar o lastro de operações financeiras poderá tornar cinco vezes mais caro, para os bancos, operar com vendas a descoberto, em que investidores apostam que os preços das ações vão cair.

A regra também tornaria muito mais caro, para os bancos, disponibilizar serviços de swaps de ações, de acordo com a carta da Global Financial Markets Association e do Institute of International Finance, dois grupos de lobistas mundiais. Se outras instituições financeiras, os chamados “shadow banks” (sistema financeiro paralelo), não entrarem nesse espaço, os investidores poderiam ser obrigados a pagar mais para apostar em movimentos nos preços de ações.

Os bancos estão empenhados em um derradeiro esforço para modificar a “relação de lastro líquido estável” (NSFR, na sigla em inglês), considerada como a plataforma final das reformas bancárias de Basileia 3, que buscam evitar uma repetição da crise financeira de 2008. Os objetivos da NSFR do Comitê de Basileia visam assegurar que os bancos mantenham um montante mínimo de recursos financeiros em função das características de seus ativos. A medida, que visa evitar apertos de liquidez, deve entrar em vigor em 2018.

A nova medida vem acompanhada de uma regra de cobertura de liquidez, para assegurar que os bancos detenham ativos suficientes, como títulos de governos, que podem ser facilmente convertidos em dinheiro. Em janeiro, agências reguladoras mundiais divulgaram propostas revisadas referentes à NSFR, dizendo tratar-se de um componente essencial das reformas de Basileia 3, visando tornar os bancos mais resistentes.

A carta dos bancos enviada à Comissão de Basileia, a que o “Financial Times” teve acesso, diz que os bancos têm “sérias preocupações” sobre como os negócios com ações são considerados no âmbito do regime NSFR, dizendo que poderá “inflar substancialmente os custos de transações em todos os mercados acionários para todos os participantes”.

A carta acrescenta: “Ao aumentar desnecessariamente o custo do lastro exigido das organizações bancárias para suas operações de intermediação no mercado de ações, o NSFR modificado potencialmente também empurraria essas atividades para o sistema bancário paralelo, em larga medida desregulamentado, ampliando o risco sistêmico”.

A análise conclui dizendo que o regime proposto poderá elevar o custo de cobertura de uma posição a descoberto, tornando-a quatro a cinco vezes mais cara do que o ônus atual. A carta reivindica que essas denominadas “operações de empréstimo de ações” não sejam classificadas como empréstimos pelo banco para efeitos de aplicação das novas regras de lastro exigido.

Os bancos também advertem que as regras poderão prejudicar o funcionamento do mercado de swap de ações e incrementar os custos associados a investimentos em índices de ações. A carta vem se somar a uma resposta, nesta primavera (hemisfério norte), a consulta do Comitê de Basileia sobre sua versão da NSFR, na qual os bancos disseram ter “sérias reservas” sobre os aspectos da proposta.

“Os bancos têm se preocupado com o padrão NSFR proposto, porque ele promove um casamento mais grosseiro entre ativos e passivos no longo prazo”, disse Barney Reynolds, um dos sócios na Shearman & Sterling, um escritório de advocacia.

“Isso poderia resultar na formação preços menos favoráveis devido a maiores spreads entre preços de compra e de venda ou redução da atividade no setor. Em consequência, as vendas a descoberto, por exemplo, poderiam migrar para provedores não bancários no setor bancário sombra”, afirma.

As queixas surgem em meio a uma preocupação mais ampla do setor bancário, temerosa de que a nova regulamentação crie um efeito inibidor sobre a atividade financeira – bem como sobre os lucros dos próprios bancos.

,,,