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O caminho da sucessão familiar

Por Jerônimo Mendes,

O processo de sucessão e a busca de um novo desafio capaz de revigorar as empresas familiares demandam planejamento e amadurecimento. Quando conduzida de maneira equivocada, a sucessão pode representar fracasso absoluto para o fundador e isso dificultará ainda mais o processo de transição.

Para evitar o desespero e facilitar a vida das empresas familiares, quero compartilhar a experiência de vivenciar e estudar vários processos de sucessão, dentre eles os do Grupo Pão Açúcar, Grupo Gerdau, Grupo Votorantim, Grupo Klabin e O Boticário. Veja alguns passos importantes tomados pelas empresas que tornaram a transição bem-sucedida:

Estimule a nova geração a empreender: não dê o peixe, mas ensine a pescar; apóie a iniciativa de um novo empreendimento, moral e psicologicamente, em vez de empurrar filhos e parentes para dentro da empresa;

Defina as regras de participação da família na empresa: como será o processo de sucessão, sob que condições, em quais circunstâncias, por quanto tempo;

Elabore um plano de desenvolvimento profissional para os membros da família: estimule-os a estudar, cursar MBA no exterior; capacite-os para assumir cargos e funções estratégicas na empresa;

Fortaleça o Planejamento Estratégico: descuidar-se da estratégia, do crescimento sustentado, da visão e da missão familiar é um dos um dos pecados capitais das empresas familiares;

Estabeleça o Plano de Aposentadoria: busque um novo desafio, uma nova missão de vida, uma forma digna de passar o comando com o sentimento da vitória; a sucessão é apenas um passo para uma nova etapa da vida, comum a todas as empresas e empresários;

Crie um Conselho de Administração: se os membros da família não demonstram interesse nem condições de assumir a empresa, seja rápido, entregue o comando para um profissional do mercado e crie um Conselho de Administração ativo que inclua membros do Conselho de Família e assessores experientes e de confiança.

As medidas adotadas foram fundamentais para evitar o caos, entretanto, cada empresa apresenta suas particularidades. Aliado a isso, a consciência de que os sucessores, filhos ou não, poderão administrar ainda melhor, se houver desapego e entrega consciente das obrigações, tende a facilitar o processo.

Depois de um tempo, a continuidade dos negócios passa a não depender mais da exclusiva vontade do empresário. Decisões mais estratégicas dependerão sempre do Conselho e do consenso. Esse simples fato mexe com o coração e a mente dos fundadores, portanto, precisa ser absorvido rapidamente.

Por fim, mais importante do que insistir no comando da empresa, por vezes de maneira equivocada, é ter a humildade para retirar-se enquanto ainda existe predisposição suficiente para uma transição amigável e segura.

Pense nisso e empreenda mais e melhor!

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