Publicações

Você está em: Home > Publicações > Nova classificação dos fundos reforça transparência

Nova classificação dos fundos reforça transparência

Por Angelo Pavini – Valor – 21/10/2015 – 05:00.

Carlos Ambrósio, da Anbima: mudanças foram discutidas com instituições.

Uma das principais mudanças que o investidor em fundos vai perceber este ano é a nova classificação das carteiras, que mexeu com os nomes dos fundos. A medida foi tomada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e entrou em vigor em outubro. “São mudanças dentro da própria autorregulação do mercado”, explica Carlos Ambrósio, vice-presidente da Anbima.

Segundo ele, as mudanças foram bastante discutidas com gerentes de bancos, de private banks, consultores, family offices, enfim, todos que aplicam em fundos.

“Fizemos grupos de discussão com investidores também, pois a ideia era dar mais informação e transparência e facilitar o trabalho do distribuidor e do consultor no processo de formação de carteiras”.

A ideia da classificação é trabalhar por níveis de informação, começando dos mais simples e se aprofundando de acordo com a sofisticação do investidor até o terceiro nível. “Depende de quanto o investidor quer se aprofundar”, afirma Ambrosio. “Se ele não quiser, fica no primeiro nível mesmo”.

O primeiro nível da classificação são as grandes categorias da CVM: Renda Fixa, Ações, Multimercados e Cambiais, que definem a classe de ativos em que os fundos investem. Depois, cada uma delas vai se subdividir em riscos relacionados aos tipos de papéis e aos prazos. Um fundo renda fixa, por exemplo, poderá ser Simples, só aplicando em papéis do governo, de baixíssimo risco de crédito e alta liquidez. Outra opção serão os Indexados, atrelados aos índices de renda fixa do mercado, os chamados IMA, calculados pela Anbima. Há IMA que mede o desempenho dos papéis corrigidos pela inflação, outro para os que seguem o juro diário, outro para os prefixados e os que misturam todos.

Outra subdivisão será dos fundos Ativos, nos quais o gestor decide qual papel comprar, e que terão seu risco dado pelo prazo médio de maturação da carteira, chamada de Duração. Tradução do termo inglês “duration”, a Duração faz uma ponderação entre os valores e os vencimentos dos papéis na carteira. Uma Duração Baixa terá concentração de valores em papéis mais curtos. A Média terá curtos e longos. E a Alta, só longos. Haverá ainda uma Duração Livre, que poderá variar os prazos de acordo com a circunstância.

É uma informação importante porque, quanto maior o prazo de um papel, mais seu preço pode oscilar e trazer perdas se os juros subirem para quem aplica no curto prazo. Também é uma forma de ajustar a aplicação ao prazo que o investidor tem para aplicar.

Uma subdivisão que existirá para todas as grandes categorias é a de Investimento no Exterior, na qual os fundos terão de aplicar, dentro de suas estratégias de ações, renda fixa ou multimercados, pelo menos 67% da carteira no mercado internacional. Esses fundos serão destinados a investidores qualificados, com mais de R$ 1 milhão para investir.

Em ações, as subdivisões incluirão os fundos indexados, que copiam em suas carteiras os índices de mercado, como o Ibovespa ou o de Dividendos. Haverá ainda a subdivisão dos fundos ativos, que buscam superar seus índices de referência. Os fundos Específicos poderão aplicar em um papel apenas, caso dos FGTS Petrobras ou Vale ou ainda em uma estratégia especial, como crescimento ou valor.

Para os multimercados, o segundo nível trata a classificação Alocação, que buscará diversificação nos vários mercados de juro, câmbio e ações. Haverá ainda os de Estratégia, que terão seu desempenho mais ligado às decisões do gestor no momento.

Haverá ainda um terceiro nível, com detalhamento maior, que incluirá mais informações sobre a estratégia de cada fundo. Em renda fixa, haverá o tipo Soberano que comprará apenas papéis de risco igual ao do governo. Os de Grau de Investimento terão 80% de papéis do governo e 20% em papéis privados de baixo risco, aqui ou no exterior. E os de Crédito Livre poderão aplicar mais de 20% em papéis privados e, portanto, com maior risco de um calote.

Em ações, o terceiro nível incluíra as estratégias de Valor ou Crescimento, Small Caps, Dividendos, Sustentabilidade e Governança, Setoriais, Livres, FGTS e mono ação. Nos multimercados, as estratégias serão Balanceadas ou Dinâmicas para os fundos de Alocação. Nos chamados Estratégia, as subdivisões incluirão os Capital Protegido, quando houver garantia do valor aplicado, Long and Short Neutro ou Direcional, quando o fundo se dedicar à arbitragem entre dois papéis,Macro, quando o gestor tentar antecipar os grandes movimentos de mercado no médio prazo, os Trading, que buscarão os ganhos de curto prazo no mercado, os Livres, que poderão misturar as várias estratégias, os Juros e Moedas e os Estratégia Específica.

 

 

 

 

 

,,,