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Instituições precisaram triplicar capital para manter negócios

Por Vinícius Pinheiro | De São Paulo – 08/10/2013 às 00h00

Os bancos internacionais precisaram ampliar em três vezes o requerimento de capital para manter o volume de negócios em razão das mudanças regulatórias ocorridas desde a crise financeira de 2008. A afirmação é de José Corral Vallespin, executivo da área de gestão de riscos do Santander. “O negócio bancário deve mudar dramaticamente na próxima década, e precisamos nos preparar para uma nova forma de lidar com o risco e o uso do capital”, diz.

Um dos desafios das instituições será manter a rentabilidade nesse novo cenário, segundo o executivo. Ele não espera a manutenção dos patamares de retorno na casa de 20%, como ocorreu durante boa parte da década passada. “Não estou otimista com nossa indústria”, afirmou o executivo em evento sobre gestão de riscos promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Corral qualificou os problemas que culminaram na crise de “efeito iceberg”. Ou seja, durante a fase de liquidez farta no sistema financeiro, o foco dos bancos se centrou na rentabilidade, enquanto questões como o nível de capital e liquidez permaneceram “submersos”.

Após a crise de 2008, as regras internacionais de adequação de capital dos bancos, que evoluíram das preocupações iniciais sobre a solvência das instituições para uma sofisticação nos métodos de medição de capital, voltaram a se concentrar em temas como capital e liquidez após a crise, segundo Corral. “Será que Basileia 3 representará uma volta ao que foi Basileia 1?”, questiona.

A simples implementação plena das normas de adequação de capital poderia atenuar ou até mesmo evitar os efeitos da crise financeira de 2008, segundo Gerson Eduardo de Oliveira, gerente executivo de gestão de riscos do Banco do Brasil, que também participou do evento.

As regras de Basileia 3 começaram a ser adotadas de forma gradual neste ano, mas os bancos já vêm se capitalizando para atender aos novos limites. Ainda assim, as maiores instituições internacionais teriam um déficit de € 115 bilhões para cumprir o nível de 7% de capital principal caso as normas estivessem em vigor em 2012, segundo estudo do Banco de Compensações Internacionais (BIS).

O executivo do Santander defendeu o aprimoramento da forma como os bancos lidam internamente com a gestão de riscos. Mas disse que, por melhor que sejam os sistemas, nada substitui o pragmatismo e o bom senso. “Não se pode gerenciar riscos se não se está preparado para tomar riscos”, afirma.

Entre as lições aprendidas com a crise, Corral destaca a reputação das instituições como o único risco que “não tem preço”. Ele citou o próprio caso do Santander, que em 2008 estava entre os investidores que sofreram perdas no esquema de pirâmide financeira do americano Bernard Madoff como um aprendizado.

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