SÃO PAULO  –  A globalização e a informatização dos controles contábeis transformaram o cargo de contador em profissão complexa e disputada. O contabilista ganhou visibilidade, mas a internacionalização e a rápida renovação dos sistemas e regras passaram a exigir atualização permanente. O que se assiste, em decorrência, é uma corrida aos cursos preparatórios e de certificação onde os professores devem estar antenados com regras nacionais e internacionais.

A qualificação, de um modo geral, proporciona ao profissional atuar em áreas específicas e torna-se um trunfo competitivo no mercado de trabalho e de salários. Nessa empreitada, os MBAs tornaram-se uma ferramenta importante para as instituições de ensino que, de sua parte, tem procurado chancelas de instituições internacionais e assim atrair um número cada vez maior de interessados.

As instituições sabem que estão diante de um grande  mercado. Segundo o Sindicato dos Contabilistas de São Paulo  (Sindcont-SP), dos 83 mil profissionais associados, apenas 45% estão se preparando para obter a certificação do IFRS. Menos de 30% dos 530 mil contabilistas do país detém esse tipo de certificação.

IFRS é a sigla em inglês para International Financial Reporting Standards, ou Normas e Padrões Internacionais de Contabilidade. Jair Gomes de Araújo, presidente do Sindcont-SP, conta que o sindicato tem buscado avançar na capacitação de seus filiados permitindo aos profissionais se estruturarem melhor na vida profissional. “Com a globalização, é necessário ser um profissional tecnicamente preparado para fazer uma contabilidade e atender o mercado internacional, que é muito exigente, principalmente, no quesito transparência”, observa Araújo.

A Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeira (Fipecafi) está entre as instituições que têm clara a necessidade de andar a passos largos especialmente em momentos como este que o país atravessa. “Quando existe uma situação híbrida de transição, e hoje o país vive essa transição, as empresas passam a olhar o profissional com mais rigor. Não basta ter uma licença do exercício profissional”, afirma Edgard Cornacchione, professor da Fipecafi. O mercado, reforça, passou a valorizar outras credenciais. “É preciso uma especialização nessa nova realidade de como fazer demonstrações financeiras, alinhadas com as Normas e Padrões Internacionais de Contabilidade”, diz.

Em parceria com a inglesa Association of Chartered Certified Accountants (ACCA), uma das mais reconhecidas certificadoras mundiais de executivos de alto escalão em finanças, controladoria e contabilidade, a Fipecafi oferece desde a primeira semana de outubro um MBA com foco na certificação ACCA. A certificação, informa a escola,  inclui não apenas conhecimentos de IFRS, mas todos os processos necessários para assumir as posições de Controller e Chief Financial Officer, CFO (diretor financeiro) em empresas multinacionais ou nacionais de grande porte no Brasil ou no exterior.

“O curso MBA/IFRS/on-line conta com uma turma de 37 alunos e tem duração de 18 meses. Dedica um módulo direcionado para a certificação ACCA e contempla um forte conjunto de disciplinas específicas da área de IFRS”, detalha Cornacchione. O público alvo são profissionais das áreas de contabilidade, mas não é um requisito, ressalva o professor. “A meta é fomentar e estimular um upgrade na qualificação profissional”, diz.

Edilene Santana dos Santos, professora e coordenadora do mestrado em finanças e controladoria da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Eaesp) implantou o mestrado profissional em finanças e controladoria em parceria também com a ACCA. “Os alunos do curso da FGV poderão eliminar a necessidade de fazer até nove das 14 provas necessárias para a Certificação Plena da ACCA”, afirma. A primeira turma do mestrado profissional com ênfase em finanças e controladoria, que teve início em agosto de 2016, tem conclusão prevista para o final de 2017 e conta com cerca de 30 alunos em dois turnos.

“Essa certificação difere das demais certificações por causa de maior abrangência. O Brasil é carente desse perfil de profissional especializado em finanças e controladorias com certificação em ACCA”, reforça Edilene. A certificação aborda temas como governança corporativa, análise de negócios e ética. Com o acordo, alunos dos cursos de graduação e mestrado da FGV-Eaesp terão isenção em alguns módulos do programa, mas a certificação é aberta para qualquer profissional, independente do nível de formação.