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BC amplia estímulo ao crédito para capital de giro

Por Felipe Marques e Eduardo Campos | De São Paulo e Brasília – Valor – .

O Banco Central (BC) divulgou na noite de ontem um novo estímulo ao crédito, dessa vez direcionado ao capital de giro, principal modalidade destinada a empresas. Acesse o link:

https://www3.bcb.gov.br/normativo/detalharNormativo.do?method=detalharNormativo&N=114064468

O BC passou a permitir que os bancos usem empréstimos de capital de giro para cumprir a regra do recolhimento compulsório a prazo. Até então, essa possibilidade estava limitada às carteiras de crédito para automóveis. É uma medida que tenta reverter o fraco desempenho do crédito a empresas neste ano, em especial para as pequenas e médias.

Em agosto, a autoridade monetária determinou que 60% dos depósitos compulsórios a prazo dos bancos ficariam sem remuneração – antes, eles eram remunerados pela taxa Selic. Para evitar que o dinheiro ficasse parado, os bancos poderiam conceder mais crédito de veículos, desde que acima da média diária que concederam no primeiro semestre. Essa é a mesma regra que vale para o capital de giro a partir de 27 de outubro.

De acordo com a assessoria de imprensa do BC, a autoridade monetária avaliou e decidiu tornar a medida mais ampla, incluindo capital de giro. A linha vinha tendo um desempenho fraco neste ano, reflexo da maior reticência dos bancos em emprestar para determinados segmentos, ao mesmo tempo em que empresários adiam decisões de tomada de recursos.

Em agosto, dado mais recente disponível, o estoque de capital de giro no mercado era de R$ 388,29 bilhões, com crescimento de 4,2% no acumulado 12 meses. Ou seja, abaixo da inflação no período. No mesmo mês de 2013, o crescimento da linha estava em 9,1% ao ano. A maior parte da desaceleração neste ano se concentra em linhas de menor prazo, abaixo de 365 dias. O capital de giro é a segunda maior carteira de crédito a empresas, atrás apenas das linhas do BNDES.

O impacto dessa redução de crédito era sentido especialmente nas pequenas e médias empresas. Esse é um segmento em que a fraca atividade econômica reduziu sensivelmente o apetite dos bancos por atuar, já que aumenta a chance de calote. Sem acesso a crédito, as empresas não conseguem rolar dívidas e têm maior chance de parar de honrar compromissos.

Tanto que esse não é o primeiro estímulo que o Banco Central tenta dar ao crédito para pequena e média empresas (PMEs). Em agosto, o BC anunciou um pacote que incluía a diminuição da exigência de capital para emprestar para o segmento, o que deixou essas operações “mais baratas” para os bancos. Contudo, como mostrou reportagem publicada pelo Valor na terça-feira, essa primeira rodada de estímulos do governo ao crédito teve um efeito praticamente nulo sobre o segmento.

O próprio BC já havia chamado atenção para o risco de uma alta da inadimplência entre PMEs, mas que esperava que fosse mitigado pelas ações de estímulo. “A redução da oferta de crédito para as PMEs poderia ocasionar limitações na rolagem de suas necessidades de financiamento, causando eventuais impactos na inadimplência do segmento”, escreveu o BC, no Relatório de Estabilidade Financeira, publicado em setembro.

A inadimplência das linhas de capital de giro com recursos livres, que exclui as linhas de giro do BNDES, foi de 4,1% em agosto – maior taxa desde outubro de 2012.

A dúvida, porém, é se a medida adicional adotada ontem vai conseguir superar o ambiente econômico ruim e aumentar a oferta de linhas de capital de giro. Não custa lembrar que, tradicionalmente, o segundo semestre costuma ser mais aquecido que o primeiro em crédito para empresas, o que ajuda os bancos a avançar e a cumprir os desembolsos suficientes para usar o depósito compulsório.

No crédito de veículos, que também foi afetado por medida similar, o efeito foi uma redução nas taxas de juros, mas apenas para os clientes que os bancos consideram bons pagadores. Dados da Cetip de setembro mostram reação da modalidade. Em setembro foram financiados 564,5 mil veículos, entre novos e usados, um avanço de 5,44% na comparação com igual período do ano anterior.

Outra medida anunciada ontem pelo Banco Central diz respeito ao setor de cartões. O BC deu mais um mês para que empresas do setor de meios de pagamento que hoje já operam no país peçam autorização à autoridade monetária para continuar funcionando. Antes, as empresas tinha até 5 de novembro para apresentar esse pedido. Agora, o prazo é 1º de dezembro.

A prorrogação foi acertada em conjunto com a Abecs, associação do setor de cartões. Desde o ano passado, quando o BC passou a regular oficialmente o mercado de cartões, foi dado início ao processo para que as empresas que atuam neste mercado pedissem à autoridade monetária autorização para funcionar. Isso vale tanto para empresas novas no setor como para as tradicionais, como Rede e Cielo.

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