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Bancos “perdem” R$ 11,7 bi com títulos

Por Angela Bittencourt | De São Paulo – 01/08/2013 às 00h00

A intensa volatilidade dos ativos financeiros e a mudança brusca das taxas de retorno dos títulos do Tesouro Nacional, de maio para junho, tiveram impacto contábil conjunto de R$ 11,7 bilhões no patrimônio dos três maiores bancos privados brasileiros, no segundo trimestre. Esse impacto em posições de tesouraria de Itaú Unibanco, Bradesco e Santander, confirmado pelos balanços trimestrais das instituições, supera em 67% o lucro conjunto de R$ 7 bilhões alcançado pelo trio.

O impacto no patrimônio é decorrente da marcação a mercado especialmente dos títulos públicos de renda fixa em tesouraria. Esses papéis – independentemente de características e prazos – sofreram desvalorização substancial em maio e junho. A marcação a mercado dos preços dos ativos equivale à atualização do valor diário de cada ativo ou título. Isso não quer dizer que os bancos tiveram “perdas” somadas de quase R$ 12 bilhões. A perda é realizada apenas quando os bancos se desfazem dos papéis. Se esses papéis permanecerem em carteira, no vencimento eles vão render as taxas garantidas pelo emissor/vendedor, o Tesouro Nacional.

Dos três grandes bancos, o Bradesco sofreu o maior impacto, de R$ 8,3 bilhões, com a marcação a mercado especialmente dos títulos de renda fixa em tesouraria ao longo do segundo trimestre. O banco informou que “tal variação decorreu, principalmente, pela marcação a mercado dos títulos e valores mobiliários de renda fixa, basicamente, relacionados ao Grupo Segurador” e classificados como “disponível para venda”, que em março tinham custo de R$ 114 bilhões e valor de mercado de R$ 119,7 bilhões. No fim de junho, a carteira total nessa mesma categoria somava R$ 133,2 bilhões pelo custo atualizado, mas valia R$ 130 bilhões a preço de mercado, com uma diferença negativa de R$ 3,22 bilhões. No Itaú Unibanco, o impacto foi no valor de R$ 2,2 bilhões. E, no Santander Brasil, de R$ 1,2 bilhão.

O gatilho para a desvalorização dos títulos do Tesouro Nacional foi a brusca mudança de patamar das taxas de juros que subiram no mundo inteiro a partir de meados de maio, quando o Federal Reserve, o BC americano, indicou sua intenção de reduzir ou interromper os estímulos monetários à economia americana. Em junho, após a reunião do “Copom do Fed”, o presidente Ben Bernanke retomou o assunto e os mercados foram submetidos a uma redefinição de preços de ativos. Mas não foi só isso. Por aqui, o clima pesou com as manifestações populares que conquistaram as ruas das principais cidades brasileiras e provocaram forte deterioração na imagem da presidente Dilma Rousseff. E em meio a uma importante desvalorização do real frente ao dólar.

Bom exemplo da aceleração das taxas é o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em 2017. No início de maio, essa posição era cotada a 8,73%. No fim de maio, a 9,75%. E, no fim de junho, a 11,02% ao ano. Em julho, as taxas se acomodaram e até recuaram, mas não muito. Ontem, com o “Copom do Fed” reunindo-se mais uma vez – ainda sem formalizar uma mudança no ciclo monetário que terá menos liquidez – o dólar saltou frente ao real e os juros seguiram a tendência. No fechamento, as cotações haviam neutralizado esse efeito.

O contrato de DI de 2017 chegou a ser negociado a 10,92% ao ano e, no fechamento da sessão regular, trocava de dono a 10,78% ao ano. Mas a sustentação dos Treasuries de 10 anos, títulos dos EUA que são referência para os mercados, continua convidando países a elevarem suas taxas de juros. E bola pra frente, porque as expectativas com o início da retirada dos estímulos monetários pelo Fed ficaram para a reunião do seu “Copom”, em setembro.

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