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Bancos mudam comissão do ‘pastinha’

Por Carolina Mandl | De São Paulo – 03/09/2013 às 00h00

Em uma ação orquestrada, os maiores bancos do país estão mudando a forma de remuneração dos correspondentes bancários, os chamados “pastinhas”. Figura polêmica, é ele quem faz a intermediação entre o banco e o tomador de empréstimos consignado, aquele com desconto em folha de pagamento, vendendo o produto.

Sexta-feira, uma série de correspondentes recebeu avisos dos bancos, alertando para uma mudança na remuneração nas operações de consignado que forem levadas de um banco para outro.

Segundo Edison Costa, presidente da Aneps, associação que reúne promotores de venda e correspondentes bancários, os bancos informaram que, a partir desta semana, mudariam a forma de contabilização da comissão. O movimento, diz Costa, reduzirá o que é pago aos “pastinhas”.

Quando uma operação de crédito consignado for liquidada antecipadamente em uma instituição para ser refeita em outra, o “pastinha” passará a receber sua comissão só em cima do valor novo liberado para o cliente.

Funcionaria da seguinte forma: uma pessoa fecha no banco A uma operação de crédito consignado de R$ 10 mil, valor máximo que pode ser consignável de seu salário. Meses depois, quando parte do empréstimo já foi quitada, o “pastinha” propõe ao cliente a migração para outro banco, refazendo um empréstimo de R$ 10 mil.

O tomador aceita a transferência. O contrato no banco A é pré-liquidado, e uma nova operação é feita no banco B, novamente com o valor de R$ 10 mil. O cliente só recebe em dinheiro a diferença entre sua dívida restante e o valor da chamada “margem consignável”.

Hoje, nessa migração, o correspondente recebe novamente uma comissão sobre os R$ 10 mil. Agora, os bancos só vão pagar a comissão sobre o valor novo efetivamente liberado para o cliente (o “troco”, no jargão do mercado). Se o novo dinheiro liberado para o cliente somou R$ 500, por exemplo, a comissão só será calculada em cima disso. A Aneps critica a mudança. “Quem promoveu isso [a pré-liquidação] foram os próprios bancos. Todos, sem exceção, fomentaram. E agora quem perde é o correspondente”, afirma Costa.

A defesa dos bancos é que a forma como operam os “pastinhas” compromete a rentabilidade do consignado do sistema como um todo. Segundo um banqueiro, para conseguir compensar o alto valor das comissões pagas (que giram próximas de 20%), o banco precisaria que o empréstimo ficasse com ele por toda a duração do contrato. O que acontece, porém, é que pouco mais de dois meses depois da contratação do crédito, o “pastinha” já o leva a outro banco.

Procurados pela reportagem, Bradesco, Santander, Itaú Unibanco e Caixa não retornaram o pedido de entrevista. O Banco do Brasil, que trabalha só com a distribuição do consignado nas agências, informou que não se pronunciaria.

Não é de hoje que os bancos tentam reduzir o incentivo que os correspondentes têm via comissão para carregar um empréstimo de um banco para outro, numa espécie de rouba-monte. Está em análise no Banco Central medida para que a remuneração dos pastinhas seja feita ao longo da vida dos contratos, e não logo que eles são fechados, como é hoje.

A mudança na remuneração do correspondente não é unanimidade. Sem rede de agências, bancos de menor porte são mais dependentes das contratações fechadas pelos “pastinhas”. Por esse motivo, tentativas anteriores de mudanças nas regras não contaram com a simpatia dessas instituições. Procurada pela reportagem, a ABBC, que reúne os bancos médios, não retornou pedido de entrevista. (Colaborou Felipe Marques).

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