Publicações

Você está em: Home > Publicações > Bancos e credenciadoras relançam o crediário, agora na maquininha

Bancos e credenciadoras relançam o crediário, agora na maquininha

MARINA GAZZONI – O Estado de S.Paulo – 24 de julho de 2013 | 2h 15

Alternativa no cartão. Nova modalidade de pagamento parcelado com juros deve entrar no mercado até o primeiro semestre do ano que vem; operação será padronizada para varejistas e contará com linhas de crédito robustas das instituições financeiras.

Os bancos e as credenciadoras se uniram para relançar o crediário como modalidade de pagamento via cartão. Projetos pilotos com o produto já estão no varejo brasileiro desde o ano passado. Agora, as empresas trabalham para criar um padrão no mercado, na tentativa de fazer decolar no Brasil o pagamento parcelado com juros. 

Os padrões para o novo crediário serão definidos pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) e estarão no mercado até o primeiro semestre de 2014. “Queremos que o crediário seja mais uma alternativa de pagamento por meio do cartão, como o débito e o crédito”, disse o diretor-presidente da Abecs, Marcelo Noronha.

A estratégia para fazer o novo crediário “pegar” no Brasil é torná-lo mais compreensível para consumidores e varejistas. Hoje o produto está disponível em uma modalidade chamada parcelado emissor, o famoso “parcelado com juros”, mas os procedimentos para contratação em máquinas Cielo ou Redecard, por exemplo, são diferentes.

Além da padronização, o crediário deve ser reforçado com linhas de crédito robustas dos bancos. O Banco do Brasil, por exemplo, oferece desde o início do ano um limite adicional de crédito para as compras no crediário para 30 milhões de clientes de cartões, uma soma que chega a R$ 50 bilhões. “O limite do crediário é o dobro do oferecido no cartão de crédito”, disse Raul Moreira, diretor de Cartões do Banco do Brasil e coordenador da comissão da Abecs que definirá os padrões do produto.

O BB tem desde o ano passado um projeto piloto com a Cielo para a linha de crediário, que oferece pagamento em até 54 vezes com taxas de juros a partir de 1,57% ao mês. O cliente contrata o produto por meio do cartão, mas o pagamento é debitado mensalmente de sua conta corrente, sem utilizar o limite do cartão de crédito. No primeiro semestre, o banco financiou R$ 500 milhões no crediário.

A Cielo também tem parceria com o Bradesco. Sua maior concorrente, a Redecard, oferece crediário para Itaú, Caixa e Citibank. As empresas vão padronizar a oferta do produto como “crediário” e ambas oferecerão formas de simular o valor da primeira e da última parcela no ato da compra.

Segundo o vice-presidente de produtos e negócios da Cielo, Dilson Ribeiro, a empresa fez adaptações no seu sistema durante oito meses para receber a nova modalidade e treinará 1,3 milhão de varejistas que possuem seus terminais para operar a função. “Vamos começar com lojas de departamento, material de construção, eletrodomésticos e redes de estéticas.”

Para o diretor da Bradesco Cartões, Vinicius Favarão, a padronização dos processos deve facilitar a operação pelos varejistas. “Vamos investir mais no crediário quando o varejo conhecer melhor a modalidade.”

Competição. A Abecs diz que o produto visa ocupar o espaço do carnê e acabar de vez com o cheque pré-datado, mas nega que seja uma tentativa de eliminar o parcelado sem juros -modalidade que responde por 72% dos gastos com cartão e que é menos lucrativa para os bancos. “A ideia é lançar uma opção de financiamento na hora da compra para produtos e serviços sem garantia”, disse Moreira, do BB.

Os bancos tentam seduzir o varejo a comprar a ideia do crediário com a antecipação de recebíveis. O varejista recebe em poucos dias as compras pagas com crediário, Na modalidade parcelada sem juros, o pagamento é mensal. “O varejo está aberto a todas as modalidades de pagamento. No fim, quem determina como paga a conta é o consumidor”, diz o economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo.

,,,,